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INTERCÂMBIO DE JOVENS NA PALESTINA

Existem muitas coisas que recordamos desta viagem inesquecível à Palestina.

Poderíamos referir as barbaridades cometidas pelo exército israelita, os check-points que adoecem o país, os colonos israelitas que ocupam as terras palestinianas, violando, assim os Acordos de Oslo, as detenções injustificadas de cidadãos palestinianos, os ataques bombistas de parte a parte, entre muitas outras coisas que envergonham a nossa passagem pelo século XXI.

Apenas vamos aqui referir alguns aspectos que marcaram a nossa vivência como seres humanos conscientes e solidários com aquilo que consideramos ser um bálsamo a todo o conflito Israel-Palestiniano: o processo de interacção e de trocas culturais, sentimentais e pessoais.


Durante a estadia ficámos alojados numa antiga prisão israelita, onde jovens palestinianos eram encarcerados e torturados, hoje transformada no centro de juventude “Salah Khalaf”, onde são formados jovens conscientes de uma cultura para a paz. Alí participámos no projecto“Using Arts as a Common Language” promovido pela Palestiniam Youth Union financiado pela EUROMED, que consistia na decoração de um mural do estádio de futebol anexo ao referido centro.  


Houve uma situação em especial que iremos recordar para sempre. Aconteceu cerca das três horas da manhã e estávamos alguns dos portugueses, franceses e palestinianos dentro da prisão e não queríamos sair porque nos sentíamos bem. 


Estávamos a conversar, a discutir, a rir e satisfeitos por estar a viver aquele momento agradável. Então pensámos que estávamos a viver uma situação irónica porque há alguns anos atrás estariam naquele local muitos jovens a sofrer e a lutar por sair dali e não podiam, e nós ali estávamos, devíamos ir para a cama e não queríamos. Isso aconteceu por uma razão particular, foi porque a porta estava aberta, o que para nós é um símbolo do povo palestiniano.


Durante todo o tempo que ali estivemos, notámos que os Palestinianos têm conhecimento, têm limitações, têm regras e estão sempre dispostos a abrir uma porta, o que é para nós um símbolo da sua força.


Poderemos nunca compreender completamente a sua dor, mas queremos estar ao seu lado e compreender tudo o que vai acontecendo ao seu povo.



 

No início deste encontro tivemos a oportunidade de falar com a representante do Ministro do Desporto e da Juventude que nos disse que éramos soldados, o que nos fará recordar a maneira como o povo palestiniano luta.

Lutam não com a palavra para violência mas com a violência da palavra.

Quando voltarmos para nossas casas esperamos ser bons soldados.

Nós estivemos todos juntos e trocámos muitas coisas, uma delas foi a linguagem: (traduzido do árabe) “Conhecemos um povo que nos fez perceber que nenhuma bala pode matar um sonho. Ficámos com a Palestina no coração e são eles os culpados desse crime


                                                                            Sílvia Camejo            Marco Contente             Joel Lopes                    João Calha             Setembro de 2005