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A exclusão social e em particular a exclusão juvenil está, na região de Portalegre, ligada  de forma evidente à exclusão territorial. Ditadas pela distância aos grandes centros de emprego e decisão, uma e outra são a seu modo expressão das políticas territoriais desajustadas ao equilíbrio urbano necessário em todo o espaço nacional. O envelhecimento demográfico, cada vez mais agravado, é o sinal último da necessidade de mudança de políticas em áreas de baixa densidade como a de Portalegre. São urgentes acções concretas capazes de devolver às regiões interiores a capacidade de fixar e integrar população, em particular jovem, rentabilizando as melhores qualidades que marcam estas áreas geográficas. Na OCRE acreditamos que o cúmulo da urbanidade se dará em espaços rurais de pequena dimensão. Assim se consigam vencer as barreiras da dependência e do envelhecimento acelerado bem como a entrave à aprendizagem ajustada ás necessidades locais e regionais. Abaixo indicam-se alguns dos objectivos a implementar no âmbito da inserção Juvenil e Comunitária, independentemente da escala geográfica, local, regional, nacional ou europeia.



 

A) Aumentar a mobilidade juvenil de jovens com menos oportunidades


A oportunidade de conhecer outras realidades exteriores e partilhar experiências é uma boa estratégia para a capacitação de jovens e para a mudança de atitudes. Contudo numerosos obstáculos se interpõem dificultando a sua mobilidade.


Abaixo referimos alguns destes:

 § A falta de recursos financeiros, mesmo quando falamos de pouco dinheiro.

§  A burocracia inerente aos processos de mobilidade;

§  A resistência sócio-cultural que se revela na “ apatia” e dificuldade de compromisso continuado;

§  Factores ligados à educação e á escola

§  A falta de acesso e hábitos de recorrer à informação

 
 
Ciente desta necessidade a OCRE tem apostado desde 2002 na mobilidade juvenil, construindo oportunidades para a mobilidade de jovens e o contacto com realidades fora da região. Este eixo é estrategicamente prioritário para a associação.
 

A Mobilidade Juvenil insere-se no primeiro eixo estratégico da OCRE ( mobilidade do conhecimento, inovação e capital humano)

  

B)Mais e melhor emprego jovem
 
4,7 Milhões de jovens estão desempregados na União Europeia, representando 38,5% de toda a população desempregada! A precariedade do trabalho afecta a população juvenil, em particular aquela social e territorialmente excluída, porque oriunda de famílias com menos posses e distanciada dos grandes centros empregadores. Uma das tarefas necessárias para inverter este flagelo passa pelo conhecimento concreto da situação em todos os níveis. As escolas devem ter a capacidade de negociar e de   adaptar a sua formação às necessidades de emprego local. O “facilitismo” deve dar lugar à competência profissional. O treino vocacional deve ser integrado na comunidade não só por via da escola mas por todos os agentes de responsabilidade. A informação deve ser trabalhada de forma a ser acessível a todos. É necessário entender os jovens com menos oportunidades como actores locais e recursos potenciais, passíveis de formação ajustada e responsabilização continuada. Numa época em que discute as leis laborais em concreto as estratégias de flexigurança, as questões ligadas à inclusão dos jovens em mercado de trabalho devem ser especialmente consideradas articulando as políticas do trabalho com as políticas de juventude.  

 
A Formação para a empregabilidade é o segundo eixo estratégico da OCRE.

 


C)Apostar na educação não formal e na construção tutelada de competências pessoais junto dos jovens com menos oportunidades

Um dos grandes objectivos da educação não formal é a de criar competências baseadas no “ambiente local”, promovendo a participação social activa em particular dos jovens com menos oportunidades. Quando se fala em jovens com menos oportunidades não se entenda que se fala de deficientes. Falamos de jovens que por razões sociais, culturais ou geográficas não têm à partida as mesmas oportunidades de formação, que outro qualquer nascido em outra situação, vista como mais vantajosa. Este conceito é vasto e inclui por exemplo, os jovens que vivem em pobreza, que não acedem a recursos de subsistência autónoma, que não estão estimulados para a educação, que abandonam a escola, que não se integram na comunidade, que vivem em áreas rurais. 
 
O estudo, construção e promoção de oportunidades baseadas nos recursos e especificidades locais, é o terceiro eixo estratégico da OCRED) Integrar os jovens com menos oportunidades na participação política e cívica das suas comunidades e apostar no diálogo inter cultural. 
  
Reconhecer a importância dos jovens na construção das sociedades é estratégico para a integração e para o futuro de qualquer comunidade. Os decisores a todos os níveis devem ter em consideração a importância de actuar não só para, mas fundamentalmente,  com os jovens com menos oportunidades. Esta é a única forma de lhes conferir espaço para o seu empoderamento, tornando-os parte activa nas decisões que a eles dizem respeito, em todas as fases dos processos. Ouvir as necessidades, criar formas para promover a expressão, saber aceitar o seu descontentamento ou aprovação, agir em conformidade de forma contínua e organizada, é a única maneira de reintroduzir esta população na comunidade dando-lhe espaço para determinar o seu futuro.

 Se é certo que os direitos humanos são universais mais certo ainda é que, num mundo em rápida mudança, a diversidade é uma riqueza. Uma comunidade diversa é uma comunidade capaz de se adaptar com mais facilidade à mudança. Todos somos poucos para os tempos que se avizinham. Nas comunidades de Portalegre assiste-se a um envelhecimento desmesurado, que serão estatisticamente evidentes nos próximos recenseamentos de população. Paralelamente verificamos alguma migração em direcção á região. Saber incluir, integrar e conhecer quem decide viver na região é uma tarefa a ser assumida com responsabilidade. 
 

A intervenção cívica e integração comunitária é o quarto eixo estratégico da OCRE